sexta-feira, 16 de junho de 2017

O nó

"Quando a vida dá um nó
Não adianta sentir dó
De si mesmo

Há uma chance de um novo começo
Um tempo bom pra fazer diferente
A gente pensa que sabe da gente
Mas nunca é tarde pra abrir nossa mente
Quando a vida dá um nó
Não adianta sentir dó
De si mesmo

O sol voltou pra esquentar sua vida
Há um olá depois da despedida
Depois de tudo que você chorou
Lavou a alma e encontrou o amor

Quando a vida dá um nó
Não adianta sentir dó
De si mesmo"

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Se não tivesse essa dor

Eu tinha perdido o samba. Ontem, no dia de Exu, me dei uma chance. Estava tudo lá: as músicas, a sensação de desafogo, o amor, a dor, a aceitação. O fim e o recomeço.

"Quem é homem de bem
Não trai!
O amor que lhe quer
Seu bem!
Quem diz muito que vai
Não vai!
Assim como não vai
Não vem!...

Quem de dentro de si
Não sai!
Vai morrer sem amar
Ninguém!
O dinheiro de quem
Não dá!
É o trabalho de quem
Não tem!
Capoeira que é bom
Não cai!
E se um dia ele cai
Cai bem!...

Capoeira me mandou
Dizer que já chegou
Chegou para lutar
Berimbau me confirmou
Vai ter briga de amor
Tristeza camará...

Se não tivesse o amor
Se não tivesse essa dor
E se não tivesse o sofrer
E se não tivesse o chorar
Melhor era tudo se acabar

Eu amei, amei demais
O que eu sofri por causa de amor ninguém sofreu
Eu chorei, perdi a paz
Mas o que eu sei é que ninguém nunca teve mais...
Mais do que eu"



segunda-feira, 12 de junho de 2017

Para onde vai a minha vida e quem a leva?
Porque eu faço sempre o que não queria?
Que destino contínuo se passa em mim na treva?
Que parte de mim, que eu desconheço, é que me guia?
F.P.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Acho que a maior parte das mulheres, desde criança, aprende a ter uma relação de desconfiança e ao mesmo tempo submissão aos homens. Temos que agrada-los e ao mesmo tempo, nunca confiar. Mesmo em relações amorosas ou até mesmo com nossos pais, isso esta presente. É como se a gente tivesse uma dívida, uma relação sempre marcada pela hierarquia. Para mim, os melhores elogios e ao mesmo tempo as críticas mais difíceis sempre tiveram vozes masculinas. É sempre a opinião mais importante. Todos os homens que eu amei, sempre ao mesmo tempo,  temi. 
Pois eu tenho um amigo, o Bruno. Escorpiano como eu, somos parecidos em mil coisas e muito diferentes em outras. Tenho com ele uma proximidade e uma conexão únicas. Ao mesmo tempo, confio nele. Mas confio de verdade. Essa semana, disse para ele: mesmo nos meus maiores erros, nos dias de névoa, de confusão, você me via. Ele conseguia me enxergar. Não teve um minuto de julgamento. De dúvida.
É uma amizade tão bonita, repleta de empatia, de respeito, com espaço e carinho na dose certa. De alguma forma, a minha relação com o Bruno cura muitas coisas em mim em relação aos homens. Me faz ver que a forma cruel e machista como somos ainda socializados machuca os homens também. E mesmo tendo consciência de todas as nossas diferenças de gênero, estamos juntos. Porque a gente trata delas com sinceridade e carinho.  

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Angico

Eu já comecei chorando no avião. Voltar ao Rio Grande do Sul, depois desse ano tão desafiador, era voltar para casa depois de uma viagem difícil. Me senti em casa, eu mesma depois de tanto tempo. O Angico é lá, o lugar das minhas melhores memórias, a casa dos meus pais, minhas amigas de antes de tudo, minha prima, São Gabriel. 
Certas episódios nos reviram por dentro, causam não só tristeza, mas uma sensação de desconexão ou de estar perdido. Uma das coisas que mais me angustiavam nos últimos meses era não ter prazer naquilo que sempre amei ou mesmo me reconhecer, me sentir presente, me sentir Gabriela. 
De alguma forma, estar em casa me trouxe essas coisas perdidas.  Finalmente eu me via, eu me reconhecia. Eu não sou a mesma pessoa, mas o essencial ainda está comigo, mora em mim. É possível recomeçar. 
Voltei. 

terça-feira, 11 de abril de 2017

Eu me tenho

Eu tenho uma casa nova, um amor doce que se renovou, um trabalho que me instiga, me desafia. Tenho amigos que se mostraram incansáveis nos últimos meses, abrindo meu coração, chorando junto, curando cada pedacinho que eu machuquei. E tive a mim mesma. Nos piores momentos, na saudade mais doída, nos dias de desespero, nas horas em que eu não me conformava. Eu me tinha. Tive que achar caminhos, encarar muitos medos, muitos preconceitos, dores novas e antigas. Tive que entender que minha vida não seria mais a mesma e que preciso achar espaço para essa pessoa nova. Que o que eu tinha sentido e vivido ficaria comigo para sempre. O resto, não importa. Eu estava lá, eu vi e vivi tudo, eu dei tudo de mim. 
Novas músicas, novos sonhos, novos hábitos. Parar de lutar contra, entregar, deixar ir. 
Desistir muitas vezes é um ato de amor.